sexta-feira, 29 de maio de 2009

"O dia nascia atrás dos quintais..."






O poeta ia bêbedo no bonde.
O dia nascia atrás dos quintais.
As pensões alegres dormiam tristíssimas.
As casas também iam bêbedas.

Tudo era irreparável.
Ninguém sabia que o mundo ia acabar
(apenas uma criança percebeu mas ficou calada),
que o mundo ia acabar às 7 e 45.
Últimos pensamentos! últimos telegramas!
José, que colocava pronomes,
Helena, que amava os homens,
Sebastião, que se arruinava,
Artur, que não dizia nada,
embarcam para a eternidade.

O poeta está bêbedo, mas
escuta um apelo na aurora:
Vamos todos dançar
entre o bonde e a árvore?

Entre o bonde e a árvore
dançai, meus irmãos!
Embora sem música
dançai, meus irmãos!
Os filhos estão nascendo
com tamanha espontaneidade.
Como é maravilhoso o amor
(o amor e outros produtos).
Dançai, meus irmãos!
A morte virá depois
como um sacramento.


Aurora - CDA

Fonte: Memoria Viva



Universo

terça-feira, 26 de maio de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vem noite, antiquíssima e idêntica!



Era uma princesa
Que amou ... jà não sei ...
Como estou esquecido!
Canta - me ao ouvido
E adormecerei ...

Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?

[...]

FP

segunda-feira, 18 de maio de 2009



Muere lentamente quien se transforma en esclavo del habito, repitiendo todos los dias los mismos trayectos, quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.

Muere lentamente quien evita una pasion, quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las "ies" a un remolino de emociones, justamente las que rescatan el brillo de los ojos, sonrisas de los bostezos, corazones a los
tropiezos y sentimientos.

Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando esta infeliz en el trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detras de un sueno, quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente quien no viaja, quien no lee, quien no oye musica, quien no encuentra gracia en si mismo.

Muere lentamente quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar.

Muere lentamente, quien pasa los dias quejandose de su mala suerte o de la lluvia incesante.

Muere lentamente, quien abandona un proyecto antes de iniciarlo, no preguntando de un asunto que desconoce o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar
.

Pablo Neruda

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão"


(Lisbela e o Prisioneiro do gênero comédia romântica, dirigido por Guel Arraes. É uma adaptação da peça de teatro homônima de Osman Lins)

Porque quando existe amor, não há necessidade de mais nada, até mesmo seres de "mundos" opostos se amam, e vivem com em um perfeito encaixe.
Não há compatibilidade de corpos ou gostos, só é.
Simples e completo.

(**Trecho do filme)

Leléu: Quando agente ama uma pessoa o que agente mais quer nesse mundo?

Lisbela: Ficar juntinho dela.

Leléu: Tão juntinho, tão juntinho que como disse o poeta: Transforma-se o amador na coisa amada por virtude do muito imaginar, não tenho mais o que desejar porque tenho em mim a parte desejada.

Lisbela: Achei mais bonita ainda essa maquina do amor.

Leléu: pois entao fique bem quietinha e feche os olhos, que eu vou lhe ensinar como funciona a maquina do desejo.
Cadê? cadê?

Lisbela: É porque liguei a máquinha da ilusão...

(Lisbela parte em retirada deixando leléo com o aroma de seu perfume ainda perdido no ar)


Eu quero a sina de um artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
Um beijo imenso, onde eu possa me afogar
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora"

domingo, 26 de abril de 2009


NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!


Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


segunda-feira, 20 de abril de 2009

POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992

domingo, 19 de abril de 2009

"A Real"


é bellirson Jr,

Ela não nos ama mais, e vamos ter que conviver com isso. é...é...

terça-feira, 14 de abril de 2009

É que eu vim dizer, mil poesias só pra você."



Reparo o vento, e pra onde será que ele vai?

Se me levasse onde você mora, certamente eu iria atrás.

Em noites lindas, eu fico a pensar, será que a lua brilha sozinha


Ou você que faz ela brilhar?

E hoje acordei tão cedo


E fui ver o sol chegar.

Será que ilumina o mundo inteiro

Ou só existe pra te iluminar.?????????????

Wou,

Não tenho todos os motivos do mundo pra sorrir, na verdade, as coisas não estão nada certas, mas ainda tenho força de gritar.

e é assim que vai ser, até acabar!!

Será que a lua brilha sozinha??

Ou você que faz ela brilhar???



sábado, 11 de abril de 2009

Balada do louco


Tenho certeza, ou quase ela, de que amar é uma forma de manter-se vivo, é o momento na vida em que mais se sente qualquer brisa, a queimadura de um fósforo transforma-se em incêndio, loucura total, canso de dizer que amor é o maior dos problemas e a solução de todos os outros, e nunca minto, bocas são amplamente pressionadas, linguas que deslizam...
TUDO é mais vivo, o mundo pinta o dia de azul e vermelho, todas as outras intenções caem por terra, e só resta você e o "objeto" desejado.
Afinal, amar loucura.
"mas louco é quem me diz, que não é feliz..."


Não sou feliz!!!!!

BALADA DO LOUCO"=

EU JÁ PASSEI ALGUNS DIAS LOUCO
LOUCO DE PAIXÃO, DE AMOR, DE ENTORPECENTES, DE TESÃO
JÁ ENLOUQUECI POR DIAS, SEMANAS, MESES
AS VEZES SOZINHO
MAS SEMPRE NA CONTRAMÃO
EU JÁ FIQUEI DOIDO DE MATO, DOIDO DE ALHO, DOIDO DE PEDRA
DE SÓLIDO, LÍQUIDO E GASOSO
EU JÁ FIQUEI DOIDO PRA CARALHO
HOJE SOU MALUCO BELEZA, AS VEZES DE MANDAR PARAR
SOU MALUCO NA ALEGRIA E NA TRISTEZA, MAS NUNCA DE SENTIR PENA
POIS MESMO NA LOUCURA MINHA ALMA É PLENA
E SE ME PERGUNTAR
QUAL A MAIOR LOUCURA QUE FIZ?!
TE RESPONDO DE BATE PRONTO
É VIVER DO JEITO QUE SEMPRE QUIZ!!!!!!!!!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

É o primeiro dia do resto de nossas vidas, é tempo de viver, e amar, é tempo de sentir, cantar...




(NEY, POEMA!)


Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas
também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há "minutos" atrás

Conposição: Cazuza/ Frejat)

intérprete: Ney Matogrosso.

terça-feira, 24 de março de 2009

“Ter ou não ter namorado” (Carlos Drummond de Andrade)


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo.

Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa, filosofia, paquera, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil.

Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, duas paqueras, um envolvimento, dois amantes e um marido; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar. Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança do amado e vai com ele a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados ou ruas de sonhos.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado é porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos.

Ponha a saia mais leve e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.

Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, longe de tudo e do mundo, parecer que faz sentido.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Amor de segunda-feira


(Times Square*)

Todo acaso é um descaso do destino que se arriscou a amar!!
Saltou do abismo pro alto, e encontrou no altar o mapa do espaço.

Janelas abertas abrem as portas do destino - desenhado no céu.

Ramo de amor
Amor do ramo
Desenho de nuvem
Nuvem do desenho

Do espaço aberto? O acaso, casando o tempo dos abraços
Termo fajuto da cor anil
Cobre de aço em laço que se enrolou na armadilha do amor.

Amor, do espaço, do tempo e do acaso, que nunca se acabou!

É assim que agente faz amor...De massa de modelar e giz de cera!!

Amor de final de amor e arroz de final de feira[...]
[...] do trópico ao céu de ondas, cobrindo todo o espaço, que também sou eu.

(Moreno, Diego)

Can't Get You Off My Mind




"Eu tenho um bolso cheio de dinheiro
E outro cheio de chaves que não têm fronteiras
Mas quando se trata de amor..."

[Kravitz]